Combinações Explosivas com Remédios
- Informativo Médico
- 06/03/2012
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Não bastasse o perigo que as drogas apresentam por conta de suas próprias substâncias, a juventude e usuários de medicamentos controlados têm realizado combinações químicas que podem ser desastrosas. O psiquiatra Paulo Soares Gontijo, pós-graduado em dependência química pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que estas misturas são imprevisíveis na saúde dos usuários. Neste caldeirão é possível incluir bloqueadores de apetite, medicamento Viagra, ecstasy, maconha, cocaína e álcool. Trata-se de uma nova droga, mas desconhecida em suas complicações e perigos. Paulo Gontijo afirma que a disseminação das drogas do “embalo” é algo cada vez mais comum, pois apresentam íntima relação com aspectos relacionados à juventude. Festas, sexo, diversão e drogas são palavras conjulgadas numa mesma frase. Em síntese: as pessoas usam as combinações para se enturmar, mostrar coragem e testar limites do corpo. A curiosidade é o canto da sereia para parte considerável de usuários destas composições. Segundo Gontijo, existem duas razões para misturar drogas sintéticas. A primeira é o lucro. A segunda razão seria a oferta estar menor que a procura. “A curiosidade, a busca de emoções mais fortes, as farras pelas madrugadas, os embalos, raves, os shows de arena, festivais de música eletrônica ou qualquer outro alegre ‘agito’ impulsionam a procura pelas drogas da euforia”, diz o médico. Dentro deste grupo de drogas utilizadas pela curiosidade que provoca nas pessoas, Paulo Gontijo destaca o ecstasy e a mística provocada pelo seu uso. “A pílula do amor é o metilenodioximetanfetamina, uma droga moderna e sintetizada, produzida em laboratório. De característica neurotóxica, ela é uma droga desorganizadora do sistema nervoso central e alucinógena. Bloqueia a reabsorção da serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro”, explica. Em outras palavras: mexe mesmo com substâncias fundamentais do equilíbrio cerebral. O especialista informa que a ação do ecstasy desencadeia um quadro de euforia, bem-estar, sensação de intimidade e proximidade. “São reações desejadas por muitos jovens, principalmente na adolescência. De uma pessoa tímida que não consegue se aproximar de grupos, principalmente do sexo oposto, após ingerir a droga a pessoa sente-se capaz de se relacionar com desconhecidos”. Paulo Gontijo explica que esta atitude mais desinibida jamais seria adotada em condições normais. Daí a busca dos jovens pela entorpecente, que impulsiona suas ações. Se usar ecstasy já é um problemão, imagine sua mistura. Paulo Gontijo afirma que “as pessoas não sabem o que estão usando”. Na Europa, a droga, informa o psiquiatra, é geralmente utilizada pura. “Em outras partes do mundo, como no Brasil, porém, traficantes, para lucrarem mais, estão misturando ao ecstasy a quetamida, metanfetamina, anfetamina ou drogas de baixo preço”, revela. Ele explica que ao usarem o ecstasy adulterado, os dependentes não passam pelo mesmo efeito quando usam a substância pura. “Os usuários decidem, então, tomar outro comprimido justamente quando o primeiro pode estar começando a fazer efeito. Reações adversas, colaterais graves e até mortes, por overdose, têm acontecido aqui e em várias partes do mundo”, alerta Paulo Gontijo. N.R.T, webdesigner, em entrevista ao Diário da Manhã, informa que usa ecstasy em festas de música eletrônica. “No começo, vou confessar: era para dançar e conversar mais. Mas hoje estou enturmado com todos e o vício permanece. Uso com cerveja”, diz. Ele leva vida normal, não atrasa no trabalho e tem o hábito de usar apenas nas festas que frequenta. “Tem que ter o clima. Numa festa sem gente descolada, com música frouxa, não animo a usar. Mas sei que estou meio viciado”, fala. O vício, pelo que se percebe, é social. N.R.T precisa do grupo para se drogar. Ainda mantém controle da situação, mas pode perder, conforme alerta Gontijo. O psiquiatra afirma que organizadores de festivais de música eletrônica frequentemente rejeitam as sugestões que ligam droga ao ambiente da música. Dizem que o ecstasy é consumido em qualquer lugar. “Não há como negar: o ecstasy e as raves caminham de mãos dadas, e isso não vai parar”, diz. Prazer reforçado O psiquiatra afirma que a busca maior por estimulantes dá a impressão de que a força da atual geração “está progressivamente perdendo o fôlego, potência e energia”. O uso de medicamentos como Viagra por conta dos mais jovens revela esta disposição juvenil para o abuso de misturas. Alquimia da morte é a droga da balada O psiquiatra Paulo Gontijo, coordenador do Programa de Assistência a Usuários do Álcool e outras Drogas do Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), afirma que existe um coquetel perigoso que vem sendo distribuído nas baladas. Ele recebe o nome de “alquimia da morte”. “É a onda dos jovens em raves e danceterias a prática do que chamam de ‘alquimia’, o que consiste numa arriscada, perigosa e desafiante mistura de anfetaminas com remédios para hipertensão arterial”. Ele informa que não é só anfetaminas, mas até mesmo os famosos moderadores de apetite (que não moderam, mas apenas bloqueiam) estão nas listas dos usuários. “Eles já não se contentam em misturar o pozinho das cápsulas de fórmulas para emagrecer, que além de anfetaminas contém também várias substâncias psicoativas como ansiolíticos e antidepressivos. Qualquer remédio de tarja preta ou tarja vermelha que sabem ser medicamentos de controle específico (principalmente que tem recomendação médica de não se misturá-las com o álcool) serve para misturar com bebidas alcoólicas para testarem o efeito interessante e misterioso”, diz o psiquiatra. Conforme Paulo Gontijo, a alquimia funciona da seguinte maneira: o usuário toma dois ou três comprimidos de anfetamina dentro das danceterias. Vendida como moderador de apetite a R$ 30 a caixa com vinte comprimidos, a droga age no sistema nervoso central potencializando a ação das substâncias cerebrais noradrenalina e dopamina – o que melhora a concentração, explica Gontijo. Após a droga causar euforia, fala o psiquiatra, aparecem efeitos colaterais como ansiedade, taquicardia, aumento da pressão arterial e depressão. “É uma bomba relógio”, diz Paulo Gontijo. Nesta sequência de uso, o jovem ingere antiácidos para proteger o estômago, além de antidepressivos e até mesmo betabloqueadores. Usados para tratar hipertensão e distúrbios cardíacos, os betabloqueadores fazem desaparecer os efeitos ruins da anfetamina. Depois de todo procedimento, ele está pronto novamente para novas aventuras. “A facilidade com que a compra e venda dessas drogas ocorre mostra por que elas vêm conquistando um mercado no Brasil, que até então era predominantemente preenchido pela cocaína, maconha e crack. O uso também é mais discreto. O crack, a maconha e a cocaína exigem um ritual e apetrechos para finalizar o consumo, como um cachimbo, por exemplo, no caso dos dois primeiros. O ecstasy é consumido, literalmente, como uma bala, daí o apelido”, explica o médico. Fonte: ESTADO DE MINAS – MG DR. MILTON PERUZZO |
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