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Doença periodontal: risco à saúde geral

Doenças periodontais: risco à saúde geral

As doenças periodontais devem ser consideradas de alto risco à saúde e precisam ser tratadas por todos os profissionais como tal.

doenças periodontais

Por: Célia Gennari

 

doença periodontal além de ser fator de risco provável para as doenças sistêmicas, com sua evolução, causam grande prejuízo estético, halitose, falta de segurança ao mastigar pela mobilidade dentária oriunda da evolução dessa doença e finalmente a perda dentária. Os pacientes podem chegar a perder seus dentes dormindo, pode acontecer em uma festa, em um evento social, entre outros. Inclusive, podem influir em aspectos sociais, deixando os indivíduos inseguros e com medo de sorrir e de falar em público.

Segundo o Prof. Dr. Eduardo Saba-Chujfi, coordenador de Pós- Graduação em Periodontia da São Leopoldo Mandic – Campinas – SP, atualmente sabe-se que a responsável pelas doenças periodontais é a inflamação tecidual em resposta a agressão microbiológica do próprio hospedeiro.

As doenças periodontais dificilmente apresentam dor, somente nos casos de processos inflamatórios agudos, como os abscessos periodontais, a gengivite e a periodontite ulcerativa necrosante e em casos de gengivoestomatite herpética aguda. Porém, os sinais são patentes. Suas características inflamatórias locais são: edema, exsudato (supuração à compressão ou espontânea) e o sangramento por sondagem durante a higiene bucal ou espontâneo.

Em níveis molecular e celular o processo inflamatório é definido pela liberação de várias citocinas, tais como: IL-1a, IL-1ß, IL-6, IL-8, IL-12, e outras interleucinas; TNF-a fator de necrose tumoral alfa; IFN-? interferon gama, etc..

O tratamento das doenças periodontais ocorre pela cura da infecção, o que é válido mesmo quando o sulco gengival ainda esteja aumentado. A terapêutica consiste em estabelecer para o paciente um programa de higienização bucal adequada, fazer a desintoxicação das superfícies dentárias e do cemento radicular por meio de raspagem e alisamento radicular, com instrumentos delicados. Também poderão ser realizadas cirurgias plásticas periodontais, que têm a finalidade de sanar as sequelas deixadas pela doença periodontal, repondo tecido gengival, fechando as retrações da gengiva, devolvendo a morfologia e a estética perdida, repondo o tecido ósseo perdido. “Hoje fazemos cirurgias para devolver a estética, a forma e a função, e não mais para mutilar o paciente com o pretexto de estar acabando com a bolsa periodontal”, explicou Dr. Eduardo.

 

Doenças periodontais e outras

Nos últimos anos, um número significativo de publicações científicas tem mostrado evidências da inter-relação entre o bem-estar físico, biológico e emocional. “Na vanguarda do conhecimento científico, a especialidade de periodontia vem contribuindo de forma ímpar para essa visão de caráter médico multidisciplinar”, afirmou Prof. Dr. Eduardo Saba-Chujfi. “A saúde bucal não pode e nem deveria estar separada da saúde sistêmica dos indivíduos, especialmente os focos que apresentam características crônicas”, alertou.

As atenções têm sido direcionadas para as doenças periodontais, especialmente as periodontites crônicas, como sendo estas, provável fator de risco para complicações cardiovasculares isquêmicas, encefálicas isquêmicas, vasculares isquêmicas em geral, renais, hepáticas, endocrinometabólicas como o diabetes

Tipo 2, neoplásicas, relacionadas com a gestação adversa, psíquicas, respiratórias, etc. Sendo mais comprometedoras as associações entre alterações sistêmicas e doenças periodontais.

A periodontite crônica é uma doença multifatorial imunoinflamatória de origem infecciosa, iniciando-se pelo estímulo da presença constante dos biofilmes, compostos principalmente por micro-organismos Gram negativos, suas toxinas e catabólitos. Resulta na destruição dos tecidos que sustentam os dentes; sendo evidentes as diferenças entre espécies bacterianas presentes no sulco gengival saudável e nas bolsas periodontais que se formam em decorrência dessa doença.

Tudo começa quando as células brancas de defesa do hospedeiro fagocitam as bactérias Gram negativas, os lipopolissacarídeos e os catabólitos (produtos metabólicos finais elaborados por alguns micro-organismos), que estimulam a produção de citocinas. Essas citocinas, mediadoras da resposta imunoinflamatória que são secretadas por neutrófilos, monócitos, mastócitos e macrófagos, ativam células como os fibroblastos, células endoteliais e as células epiteliais que, subsequentemente, produzirão: prostaglandina E2 e metaloproteinases da matriz. As prostaglandinas E2 induzem à reabsorção de tecido ósseo e as agrametaloproteinases da matriz (Colagenase e outras) causam a degradação do tecido conjuntivo. Além disso, outros mediadores pró-inflamatórios, também estarão envolvidos na degradação do periodonto. Portanto, a resposta imunoinflamatória primariamente protetora, também será lesiva para os tecidos periodontais e à distância.

Segundo Dr. Eduardo, é notório o número de evidências mostrando que indivíduos com periodontite crônica, principalmente aqueles portadores de formas moderadas e avançadas, possuem uma carga bacteriana maior na corrente sanguínea. “Estas considerações importantes fazem nos direcionar ainda mais pela trilha da promoção de saúde e prevenção”, alerta.

 

Prevenção

O tratamento periodontal tem como essência a motivação dos profissionais e dos pacientes, tanto para o controle adequado de placa bacteriana, como para identificação meticulosa de fatores de risco relacionados com a saúde bucal e saúde sistêmica do próprio indivíduo. Por outro lado, na percepção atual, é fundamental o conhecimento do conceito médico, ou seja, do estado de saúde geral dos indivíduos.

É dever do periodontista não só orientar, mas como um profissional da saúde, contribuir de forma concreta para a mudança de comportamento, visando uma qualidade de vida melhor para seus pacientes. Informações e condutas sobre os efeitos do fumo, do consumo excessivo de álcool, da alimentação não saudável, do estresse, da baixa estima, da vida sedentária, das cáries dentárias, das doenças periodontais, das doenças peri-implantares, cardiovasculares, respiratórias, endocrinometabólicas entre outras e suas repercussões para a saúde bucal e sistêmica do indivíduo devem fazer parte do cabedal de periodontistas com visão ampla.

Sempre que o paciente apresentar risco sistêmico ou já tiver doença ou alteração sistêmica não controlada, deve ser encaminhado e acompanhado conjuntamente pela equipe da especialidade médica pertinente. É importante que o periodontista

verifique se realmente o paciente atendeu os propósitos do tratamento multidisciplinar. Para Dr. Eduardo, a Odontologia e a Medicina devem formar uma melhor estrutura cognitiva nesse complexo segmento da área médica periodontal.

 

Diabetes

As doenças periodontais são descritas na literatura como sendo a sexta complicação do diabetes, ou seja, está comprovado que agravam o Diabetes Tipo 2 e os Diabetes Tipos 1 e 2 agravam as doenças periodontais. Nesta condição, os periodontistas podem solicitar aos endocrinologistas um panorama das condições endocrinometabólicas do paciente, mas jamais os profissionais de especialidades distintas devem pedir autorização para o tratamento, pois nenhum profissional pode autorizar um tratamento que não está sendo visto ou está sendo realizado por ele mesmo.

O tratamento periodontal de diabéticos deve ser realizado com a cobertura de antimicrobianos, pois o grande problema nestes pacientes é a difícil cicatrização e por isso a facilidade do desenvolvimento de infecções.

Os profissionais da saúde devem fazer um alerta para a relação entre condições patológicas imunoinflamatórias e seus desdobramentos nas diversas influências exercidas pelo diabetes e doenças periodontais. “Temos o dever de melhorar a qualidade de vida, estabelecer um diagnóstico precoce, fomentar a prevenção e a promoção da saúde dos nossos pacientes e muitas vezes também ao nosso alcance poderá estar a longevidade dos mesmos”, alertou Dr. Eduardo.

 

Doenças cardiovasculares

A doença periodontal promove a constante oferta bacteriana dada pelos biofilmes dentários pode, através de um desequilíbrio tecidual, traduzido pela quebra da homeostase dos tecidos periodontais, pode ter como consequência uma reação imunoinflamatória, causada pela infecção originada pelos biofilmes dentários que pode vir a ser considerada um provável fator de risco para doenças cardiovasculares isquêmicas.

Como é sabido, micro-organismos como os Streptococcus sanguis; Porphyromonas gingivalis, Aggregatibacter actinomycemtecomitans, entre outros, são capazes de induzir a agregação plaquetária, o que pode promover a formação de trombos, contribuindo para os eventos aterogênicos e aterotrombóticos com riscos prováveis para as coronariopatias isquêmicas, como o infarto agudo do miocárdio e angina pectoris, assim como o Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEI).

Um trabalho de CHIU em 1999 ressaltou as evidências, observando a presença de Porphyromonas gingivalis nas placas de ateromas. Os resultados inferiram que a presença desse micro-organismo pode influenciar na morfologia da placa de ateroma, pela constatação de que em uma placa instável, existem determinantes múltiplos como micro-organismos, além do aumento de apoptoses das células vasculares e aumento da vascularização.

A pesquisa também confirmou que este mecanismo favorece a ruptura da placa de ateroma, o que possivelmente estimula os eventos de síndrome isquêmica aguda e AVEI.

Estudos epidemiológicos enfatizaram ser a periodontite uma infecção crônica e essas infecções geram níveis sistêmicos elevados de proteínas de fase aguda, como a proteína C-reativa, o fibrinogênio e a homocisteína liberadas pela inflamação e citocinas pró-inflamatórias (IL-1ß, IL-6 e TNF-a). Esses fatores quando elevados podem aumentar a atividade inflamatória nas lesões locais e na atividade aterotrombótica, aumentado potencialmente o risco dos eventos cardíacos e encefálicos isquêmicos.

 

Gestantes

Com a liberação das citocinas pró-inflamatórias, emanadas pela reação inflamatória ocasionada pela placa bacteriana dental ou biofilme dentário, agindo sobre os tecidos, acabam por recrutar fibroblastos, células epiteliais e células endoteliais; estas por sua vez, vão liberar para os tecidos MMPs (Colagenase) e Prostaglandina E2. A Prostaglandina E2, assim como a Prostaglandina F2 alfa, no trabalho de parto, são responsáveis pelas contrações uterinas, que será tanto maior quanto for a condição inflamatória. Essas liberações geram maiores e mais frequentes contrações uterinas, que vão ter como consequência as cólicas menstruais, aumento das Tensões Pré-Menstruais (TPMs) e podem ocasionar parto pré-termo de neonatos prematuros e com baixo peso. O parto pré-termo de neonatos prematuros e com baixo peso é a maior causa de mortalidade infantil.

 

Importante lembrar que…

Os pacientes cardiopatas, diabéticos, fumantes, estressados ou deprimidos, com histórico de AVEI, com problemas vasculares, com histórico de cânceres, problemas pulmonares (como PAC e DPOC), pacientes renais crônicos, com alterações hepáticas por alcoolismo ou que deixem sequelas nos fatores de coagulação, pacientes com pais que perderam seus dentes por problemas periodontais, indivíduos com alterações sistêmicas etc., todos devem ser tratados por equipe multiprofissional. Os exames laboratoriais de sangue são fundamentais, pois visam à complementação do diagnóstico, tanto do ponto de vista sistêmico como periodontal. Apesar de que, a maioria dos exames não é específica para as infecções periodontais, esses achados somados aos da anamnese e aos dos exames clínico e radiológico, orientam os periodontistas nas condutas terapêuticas, tanto no encaminhamento para outras especialidades médicas como na avaliação de riscos.

Prof. Dr. Eduardo Saba-Chujfi


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implante dentário

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By DrCarlosSouza

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